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Pobreza e Currículo: uma complexa articulação

Ao iniciar a discussão neste módulo, gostaríamos de resgatar a sua compreensão sobre currículo. Então, pare e reflita: o que você entende por currículo?

Com frequência, ele é associado ao elenco de disciplinas a serem ofertadas em cada série; porém, ao nos determos sobre essa discussão, podemos afirmar que:

Se por um lado o currículo é uma ponte entre a cultura e a sociedade exteriores às instituições de educação, por outro ele também é uma ponte entre a cultura dos sujeitos, entre a sociedade de hoje e a do amanhã, entre as possibilidades de conhecer, saber se comunicar e se expressar em contraposição ao isolamento da ignorância. (GIMENO SACRISTÁN, 2013, p. 10)

Assim, o currículo é inerente a todas as instituições educacionais e se desenvolve de múltiplas formas, pois essas instituições trabalham e defendem uma cultura que se expressa por meio dele. Assim, a compreensão que temos sobre o currículo é determinante nas nossas ações pedagógicas, nas escolhas que fazemos e nas estratégias que adotamos. Podemos afirmar que “currículo é tudo que acontece na escola”. Partindo dessa perspectiva, adotamos o conceito de que currículo é o conteúdo cultural que as escolas difundem, bem como constitui-se dos efeitos que esses conhecimentos provocam nos sujeitos (SACRISTÁN, 2013). Ele é, portanto, um artefato social e cultural (MOREIRA; SILVA, 2008). Reflete “[...] todas as experiências organizadas pela escola que se desdobram em torno do conhecimento escolar.” (MOREIRA, 2001, p. 68, grifos no original).  Exprime a ideologia, as relações de poder e a cultura de cada unidade escolar. O currículo nunca é neutro. Podemos, por exemplo, reproduzir as desigualdades e injustiças sociais ou contribuir para a construção de uma sociedade efetivamente democrática. Convivemos com três tipos currículos: um formal, um real e um oculto1. Essa compreensão inicial é fundamental para nossa discussão neste módulo sobre currículo e pobreza.