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Sobre o "localismo globalizado"

 

Para o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, esse fenômeno meio abstrato que nos acostumamos a chamar de “globalização” é, na realidade, o resultado da combinação de dois movimentos distintos: um que resulta na “globalização de um localismo”, e outro que o próprio autor chamou de “globalismo localizado”.

Propaganda da Coca-Cola em Pequim, China. 
Fotografia de Ming Xia (2005).

No primeiro caso, aquelas nações mais empoderadas econômica, política, cultural e militarmente exportam não apenas suas mercadorias, mas também seus modos de ser e pensar. Quanto mais “bem-sucedida” for essa exportação, mais nos esquecemos de que o hambúrguer ou o enlatado holywoodiano, que podem ser adquiridos em praticamente qualquer parte do mundo são, na realidade, produtos de contextos bastante específicos em termos históricos e sociais.

No segundo caso, os subprodutos dessa “globalização do local” (por exemplo, o lixo industrial e o desmatamento) ganham corpo em algumas partes do globo, sobretudo no terceiro mundo, enquanto outras permanecem intactas. É nesse sentido que Boaventura de Sousa Santos nos alerta para os perigos de acatarmos acriticamente as prerrogativas dos direitos humanos que são, elas também, a invenção daquelas nações mais poderosas que tendem a levar em conta os dilemas e os problemas de um “local” – Europa e Estados Unidos, principalmente – e a desconsiderar as especificidades de “outros locais” – dos problemas e dos dilemas do “sul” geopolítico. 

Lixo radioativo encontrado em uma fábrica abandonada. Fotografia de Andreas S (2013). 

Para se aprofundar nessa temática, você pode ler a seguir o artigo "Direitos Humanos: o desafio da interculturalidade dos Direitos Humanos", de Boaventura de Sousa Santos, publicado na Revista Direitos Humanos.